BLOGUE DA ESCOLA SANTA MÔNICA _ PELOTAS/RS

"Chega mais perto e contempla as palavras.

Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra.

E te pergunta, sem interesse pela resposta.


Pobre ou terrível, que lhes deves:

'Trouxeste a chave?' "

(Carlos Drummond de Andrade. Procura da poesia)
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sexta-feira, 7 de maio de 2010

"Tautologia" não é nome de remédio, não!!!! Rsrs!

É... Não é nome de remédio...! Rsrsr! No post seguinte trataremos do oposto da tautologia e pleonasmo, ou seja, a concisão. Aguardem! Bj e um excelente dia!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Intertextualidade: exemplos para refletir ( 8ª série)















Vejam a criatividade da Hortifruti (aqui) em uma campanha publicitária! Além disso, alimentação à base de frutas e legumes é dezzzz! Enquanto preparo um post com a coletânea de textos e a proposta de redação do 3º Médio, que tal refletirem sobre a relação de intertextualidade na publicidade acima? A profª Laís e eu temos uma atividade a propor sobre isso. Aguardem! Cliquem nas imagens para ampliá-las! Bj, Tê!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Exemplo de texto dissertativo-argumentativo (aos alunos do 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio)

Imagem: Picassa: Flor da Amazônia (aqui)

" A Amazônia em perigo

A internacionalização da Amazônia ganha destaque nas redes de televisão, nos jornais, sites, nas universidades e escolas norte-americanas. O interesse em "proteger" essa área, objetivando garantir o bem-estar da humanidade, conta com o apoio de algumas nações mais ricas, que se consideram superiores para desrespeitar os direitos de outros povos.

De certo modo, a Amazônia, há algum tempo, vem sendo internacionalizada de forma lenta e gradual. Vale dizer: embora o povo brasileiro tenha em sua floresta plantas e sementes as quais servem para a fabricação de cosméticos e outros produtos caríssimos da indústria farmacêutica, ele não pode fazer uso deles com fins lucrativos pelo fato de já terem sido patenteados pelas nações mais desenvolvidas tecnologicamente.

O Brasil poderia extrair, de modo a não destruir a região, várias riquezas desse solo. De acordo com recente pesquisa divulgada pela Veja, na Amazônia existe, além das plantas, cujo uso medicinal é potencialmente significativo, uma grande reserva de água doce. Há também petróleo e diversos recursos minerais.

Assim, alguns países mais ricos, percebendo o grande potencial dessa área, insistem na hipótese de torná-la patrimônio do mundo. Percebe-se, na verdade, um interesse econômico na floresta pois, além de outras riquezas, a reserva de água doce, a maior do mundo, será suficiente para gerar, em um futuro próximo, muitos lucros uma vez que, nos últimos anos, a escassez de água aumentou e a tendência é aumentar ainda mais.

Ademais, o pretexto para internacionalizar a região sustenta-se no fato de o governo brasileiro não proteger de forma devida um patrimônio de tamanha grandeza. Com efeito, a falta de fiscalização por parte dos órgãos responsáveis está permitindo a atuação ilegal de madeireiros e produtores rurais. Soma-se a isso não haver suficientes incentivos na área tecnológica e científica, impossibilitando os pesquisadores descobrirem mais rapidamente o uso eficaz de certas plantas.

Entretanto, o atual presidente da República e sua equipe de governo estão começando a centrar sua atenção na Amazônia visando preservá-la. É válido lembrar a realização de constantes mapeamentos aéreos com a intenção de focalizar queimadas e áreas de desmatamentos. Além disso, os empréstimos aos agricultores são liberados apenas se estes apresentarem um projeto de preservação ambiental.

A Amazônia é uma região de valor imensurável e, devido a isso, desperta a cobiça de outras nações. Desse modo, caberá aos governantes brasileiros investirem no local, com o intuito de não permitir sua dominação. Afinal, os EUA deixaram evidente no conflito com o Iraque e na invasão ao Afeganistão a ideia de que, para garantirem seus interesses, são capazes de desrespeitar os direitos dos povos mais frágeis."

Por Daiane de Azevedo Fuhrmann, em 2003.

Daiane foi minha aluna e é uma grande amiga ainda hoje. Cursa Medicina na UFPEL e adora o que estuda. Sempre que pode, participa de estágios, congressos, seminários em diversificadas áreas da saúde.

Vou retomar esse texto com os alunos do 2º ano e, com os do 3º, o discitiremos na próxima segunda-feira. Posteriormente comentarei sobre este texto. Bjs, e bom final de semana!!!! Tê!

Publicado originalmente em Tear de Sentidos (aqui).

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Ainda sobre a utilização da coletânea e a proposta de redação

Imagem: aqui
Este post dá continuidade ao anterior _ Proposta de redação e coletânea: como fazer? (aqui) _ e visa ajudá-los a redigirem seus textos com base na proposta de redação e da coletânea de textos os quais a acompanham.

Para refletirmos acerca de um tema e escrever sobre ele, precisamos um mínimo de conhecimento referente a esse tema, por isso, a coletânea se constitui um recurso de que vocês podem lançar mão para extrair informações, confrontar posicionamentos, e, então, posicionarem-se. Ela é um conjunto de subsídios que manifesta situações reais, com informações e posicionamentos colhidos dessas situações reais.
A autora Maria Bernardete Abaurre muito apropriadamente explica o que foi dito:
"Quem escreve no mundo real pesquisa para escrever. Um repórter vai à cena _ vê o jogo, analisa o acidente, cobre a reunião _ e lê sobre o tema, consulta enciclopédias, arquivos, ouve 'especialistas', entrevista implicados. Por que o aluno deveria inventar um texto a partir do nada? Assim, a introdução da coletânea é o dispositivo que verdadeiramente pode alterar a natureza da redação na escola [...]."
E acrescenta:
"[...] escrever a partir do que já se escreveu. É que escrever é uma prática social que consiste, em boa medida, em escrever contra, sobre, a favor, ou, mais simplesmente, a partir de outros textos. Não há escrita sem polêmica, retomada, citação, alusão, etc. Ninguém escreve a partir do nada ou a partir de si mesmo." (Grifos meus)
Extraído de: Abaurre, M. B. et al. 15 anos de vestibular UNICAMP: redação; coletânea. Campinas: Ed. da UNICAMP, 2001.
E então, preparados...? Bj, Tê!

Proposta de redação e coletânea: o que e como fazer?

Imagem (aqui)
"A importância de uma leitura clara da proposta de redação e do bom uso da coletânea de textos

Por Teresinha Brandão

Antes de vocês produzirem seus textos, daremos especial destaque, em nossas aulas, para a importante leitura da proposta de redação e para o bom uso da coletânea de textos os quais sempre acompanham essa proposta.

Após leitura atenta da coletânea e proposta de redação, sugiro:

1º) determinar qual é o tema proposto e quais as possibilidades de análise (Qual o enfoque? Qual a linha de raciocínio a seguir?);
2º) reler e interpretar, com muita atenção, todas as informações que acompanham o tema proposto, sublinhando-as;
3º) identificar com clareza o gênero textual solicitado (Um texto dissertativo-argumentativo? Uma narrativa? Uma carta aberta à população? Um poema?).

Observem que, se vocês não desenvolverem o tema proposto, fugindo do assunto/tema, ou, se a sua redação não seguir as características do gênero solicitado, ela pode ser anulada.

Quanto à coletânea, aconselho:

1º) identificar claramente a questão que está sendo tematizada (ou polemizada) e determinar quais são os argumentos, opiniões, pontos de vista sobre a questão;
2º) se houver mais de um posicionamento acerca do assunto, identificar claramente esses posicionamentos e determinar quais os argumentos que sustentam as opiniões dos autores dos textos.
3º) traçar a melhor representação possível do interlocutor, reunindo todas as informações que vocês tenham sobre ele, sobre o que pensam a respeito do tema, sobre seus argumentos, etc. (Qual a imagem que têm dele? Qual a imagem ele quer "transmitir" de si mesmo, etc.?);
4º) selecionar, entre os argumentos, as opiniões, os posicionamentos identificados, aqueles que melhor se prestam à sua análise em relação ao tema, tomando como referência a imagem que vocês têm do seu interlocutor _ e ele supostamente de vocês _ e qual a que vocês têm de si mesmos;
5º) buscar outros argumentos de que vocês disponham, pertinentes à análise do tema."

Continuaremos nossa reflexão no post seguinte. Bj, Tê!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Competência textual: o que é?

Imagem: internet
"Competência textual: o que é?
Por Teresinha Brandão
Ao usarmos a língua costumamos desenvolver a capacidade – ainda que de modo diferenciado uns dos outros – de distinguir um texto de um aglomerado incoerente de sons, palavras e imagens (um “não-texto”), dependendo da nossa competência textual. Esta pode ser entendida como a capacidade de parafrasear um texto, resumi-lo, atribuir-lhe sentidos ou dar-lhe um título, entre outras habilidades.
Além disso, somos capazes de produzir um texto a partir de outros textos, compreendermos a finalidade destes e distinguirmos os vários gêneros textuais. Aliás, já comentamos anteriormente sobre competência metagenérica (aqui), lembram-se? Certamente, por ocasiões, podemos nos debater com dificuldades para identificar a “intenção” do autor uma vez que este pode querer não demonstrar suas intenções ou dissimulá-las, mas, em outras, até mesmo a finalidade do texto somos capazes de identificar.

E mais: em virtude de ter produzido em circunstâncias específicas, as quais podem não coincidir com as circunstâncias de leitura do interlocutor (leitor), um texto poderá desencadear um processo de diferentes leituras. Isso pode ser explicado pelo fato de a linguagem não ser um transparente “instrumento de comunicação”; pode ser também de não-comunicação...

Exemplo claro dessa não-transparência da linguagem pode ser constatado quando o autor lança mão de ironias, ambiguidades, sentidos indiretos, ou de um estilo obscuro.

Um outro aspecto merece destaque: o texto não é um produto acabado, fechado sobre si mesmo. Ao contrário, nele circulam sentidos indiretos, elementos não só explícitos, mas também implícitos, ambiguidades, enfim, aspectos que exigem do leitor a compreensão desses elementos. Cabe a este, ao próprio texto e ao contexto fazer circularem esses sentidos, certo?"
Texto publicado originalmente em Tear de Sentidos (aqui).

As condições de produção de um discurso: palavras iniciais

"As condições de produção dos discursos
Por Teresinha Brandão
Para atribuirmos sentidos a um texto (gênero textual/do discurso), necessário se faz nos reportarmos à sua exterioridade, ao contexto, às suas condições de produção. Só assim poderemos entender os gêneros como práticas sociais.

Muitas ambiguidades, ironias, informações implícitas, sentidos indiretos têm seu(s) sentido(s) ancorado(s) no contexto. Vejamos como isso procede com o gênero fotografia.

A foto acima, de Hugo Scotte, extraída do Álbum dos Caras Pintadas no Picassa , foi registrada em Porto Alegre, em 26/03/2009. A imprensa gaúcha e a nacional deram cobertura ao protesto de 30/03, que envolveu não só estudantes secundaristas e universitários, como também trabalhadores do RS.

Tal qual ocorrido durante o processo de impeachment do ex-presidente Collor de Mello, quando estudantes de todo o país pintaram seus rostos de verde e amarelo, simbolizando, por meio dessas cores, a bandeira nacional, e exigindo ética e transparência nas ações do governo da época, os “caras pintadas”, como ficaram conhecidos, foram às ruas exigindo não “Fora Collor”, mas “Fora Yeda”.

Outras pistas relativas ao contexto merecem destaque: além das imagens — rostos pintados (de quem e por quê?) com as cores da bandeira do Estado (azul, vermelho, verde e amarelo: qual simbologia?), bandeiras sul-rio-grandenses coladas nas roupas e/ou nas bocas dos jovens, a cor do cartaz em preto, sinalizando “luto’ (por que estão de luto?) —, os termos “Ella” (quem?), grafado com dois “ll”, assemelhando-se ao nome de Collor, e o enunciado “Estamos de volta” (quem está e por quê?) e “não pode continuar” (quem não pode e quem vai impedir?), uma referência ao conhecido enunciado, na época, “Fora, Collor!”— , fazem vir à tona, por intermédio da memória dos brasileiros, o episódio do passado, mas agora atualizado e contextualizado de uma outra forma.

É um novo enunciado, um novo fato (o pedido de impeachment de Yeda Crusius, uma nova “crise”, um novo “fora”, e uma nova autoridade, não mais a do presidente da República, mas a da governadora do RS).

No entanto, essas novas informações só emergiram porque estão apoiadas em um já-dito, agora, re(significado). Sem esses elementos extratextuais, relativos ao contexto de produção, como os sentidos possíveis aqui seriam construídos? Hãm...? Hum...?"
Na verdade, essas considerações reafirmam a ideia exposta no post Texto: elementos intra e extratextuais (aqui).
Publicado originalmente em Tear de Sentidos (aqui).

Gêneros do discurso: palavras iniciais

"Gêneros do discurso: palavras iniciais
Por Teresinha Brandão
“_ O que o padeiro falou para Jonh Lennon?
_ O sonho acabou.”

Quando usamos a linguagem, costumamos desenvolver o que duas pesquisadoras da linguagem – Koch & Elias _ em Ler e compreender, da Contexto, denominam de competência metagenérica:

“(...) cotidianamente, em nossas atividades comunicativas, são incontáveis as vezes em que não somente lemos diversos textos, como também produzimos ou ouvimos enunciados, tais como: escrevi uma carta, recebi o e-mail, achei o anúncio interessante, o artigo apresenta argumentos consistentes, fiz o resumo do livro, a poesia é de um autor desconhecido, li o conto, a piada foi boa, que tirinha engraçada” (2006; p. 101 – 102). (Grifos das autoras).

Os termos em itálico são considerados gêneros do discurso, nesses casos, bastante conhecidos no cotidiano. As autoras acrescentam:

“(...) os indivíduos desenvolvem uma competência metagenérica que lhes possibilita interagir de forma conveniente, na medida em que se envolvem nas diversas práticas sociais. É essa competência que possibilita a produção e a compreensão de gêneros textuais, e até mesmo que os denominemos (...)” (Grifos das autoras).

Em Os gêneros do discurso, Bakhtin, um estudioso da linguagem, afirma que não há comunicação senão por meio de gêneros e os define como um conjunto de “tipos relativamente estáveis de enunciados” (1997, p.279). Sobre a estabilidade dos gêneros explica: “Se não existissem os gêneros do discurso e se não os dominássemos, se tivéssemos de criá-los pela primeira vez no processo da fala, se tivéssemos de construir cada um de nossos enunciados, a comunicação verbal seria quase impossível.” (idem, p. 302).
Da mesma forma, preocupa-se em analisar o que denomina relativamente. Segundo o teórico da linguagem, os gêneros devem ser entendidos como fenômenos e práticas de ação social, únicos e concretos, pois determinados por suas condições de produção, em sua essência, variáveis.

Se vocês, ao lerem o texto que acompanha a imagem de Jonh Lennon, tivessem de identificá-lo, provavelmente diriam que se trata de uma piada ou pegadinha. Foi possível identificá-lo como tal porque, de um lado, a forma (estrutura linguística) _ “O que ‘X’ falou para ‘y’?”; “O que é o que é?” _ já adquiriu uma certa estabilidade no conjunto de enunciados que, no contexto brasileiro, estruturam, de um modo geral, as piadas ou pegadinhas. De outro, percebe-se um estranhamento pois “O sonho acabou” é um enunciado que, noutras condições de produção, expressava um(uns) sentido(s)diferente(s). Na canção God, John compôs a célebre frase “The dream is over” em referência à dissolução dos Beatles e ao fato de não acreditar nos Beatles e em Jesus, afirmando ser Deus “um conceito pelo qual medimos nossa dor”. Esse deslocamento de sentidos, decorrente do termo “sonho” (utopia, idealismo), no tempo e no espaço, bem como a expressão “padaria” como referencial de um lugar onde se vendem “sonhos” (alimento), provocou um estranhamento que, por sua vez, ocasionou um efeito de sentido de humor."

Outros exemplos, queridos alunos?
Publicado originalmente em Tear de Sentidos (aqui).

Texto: elementos intra e extratextuais

Imagem: escultura "O beijo", de Rodin
"Texto: elementos intra e extratextuais
Por Teresinha Brandão
O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias,
uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta

(Gregório de Matos)
Temos lido em posts anteriores sobre textos, tecer, produzir e contar textos... Mas, afinal, o que podemos entender por "texto"?
É comum e verdadeira a afirmação segundo a qual um texto admite a possibilidade de mais de uma leitura, mas não menos verdadeiro é o fato de ele não aceitar toda e qualquer leitura.

Essas leituras são viáveis porque não há separação categórica entre autor/leitor/texto/contexto. Todos esses elementos são constitutivos do processo de leitura. Sobre isso, lembremos:

1º) O texto não é o ponto de partida nem de chegada do(s) sentido(s) pois, se os aspectos exteriores a ele (as condições de produção, noção a referida posteriormente) são determinantes na construção de sentido(s), há de salientarmos que o próprio texto, no seu interior, também sugere pistas linguísticas (assim como as pistas contextuais) para o leitor compreendê-lo. Explico mais detalhadamente essa afirmação valendo-me do poema acima, cuja autoria remete à época do Barroco no Brasil, aqui, acompanhado da escultura _ embora de mármore, ardente! _ O beijo, de Rodin.

Na tentativa de definir o amor, o poeta cria, por meio da escolha e da combinação lexical, imagens que, na mente do leitor, apontam para a hipótese de uma leitura do poema: o amor "carnal" é, para o eu-lírico, o "verdadeiro" amor, absoluto e único. "Quem diz outra coisa é besta" ratifica essa concepção absoluta e exclui muitas outras possibilidades de leitura do texto.

Os termos selecionados _ artérias/bocas/veias/ancas/, e ainda, embaraço/união/tremor/confusão/batalha/reboliço _, quando combinados, funcionam como pistas, inseridas no interior do próprio texto, aludindo à concepção do amor carnal como valor/sentimento máximo defendido pelo eu-lírico.

2º) O(s) sentido(s) de um texto não é (são) determinado(s) exclusivamente pelo seu autor uma vez que, se assim o fosse, entenderíamos claramente a intenção desse autor ... Será possível captar-se plenamente essa intenção?

3º) Esse(s) sentido(s) não é (são) determinado(s) igualmente pelo leitor já que explicações como "Mas essa é a 'minha' leitura" ou "Essa é a leitura que 'eu' fiz do texto" permitiriam ao leitor tornar-se fonte exclusiva e principal de sentido(s), possibilitando-lhe, assim, apropriar-se de "toda e qualquer" leitura.

4º) Por fim, ressalto a importância das condições de produção e das pistas contextuais, estas a serem analisadas posteriormente. No entanto, a estrutura linguística não pode ser ignorada sob a pena de o texto "ficar à deriva" dessas condições de produção que, no decorrer do tempo, não necessariamente podem ser resgatadas.

Mais tarde, trataremos das condições de produção da leitura e dos textos, bem como de suas implicações relativas à concepção de texto/discurso."

Se desejarem informações sobre Rodin e Gregório de Matos, cliquem respectivamente em 1 e 2.
Publicado originalmente em Tear de Sentidos (aqui). Aguardem! Bj!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Texto: história de uma palavra

Imagem: Picassa (aqui)
"Texto: história de uma palavra
Por Teresinha Brandão
As palavras, tanto quanto nós, têm sua história...
Text _ ou "texto" _ origina-se do latim _ texere (construir, tecer) _, cujo particípio passado _ textus _ também era empregado como substantivo, significando "maneira de tecer", ou "coisa tecida", e mais tarde, passando a designar "estrutura". Só por volta século XIV a evolução semântica da palavra atingiu o sentido de "tecelagem ou estruturação de palavras", ou ainda "composição literária". O termo passou a ser usado com tal sentido em inglês, proveniente do francês antigo texte. Observem que o termo foi relacionado à literatura tardiamente.

Podemos comparar a produção de um texto, sua "costura" _ o entrelaçamento, o encaixe, a sequência e a articulação das palavras e frases num todo dotado de sentidos _ com o trabalho de uma tecelã. Essa comparação pode ser estabelecida pela ligação entre o conteúdo deste post e sua imagem (acima).

Fiquei pensando sobre o trabalho das tecelãs... Fiquei pensando sobre tecer... Sobre tecer a vida... Cheguei a algumas conclusões, ou mais que isso, a questionamentos... Lembrei-me do filme Colcha de retalhos _ lindo! E com um elenco feminino espetacular: Wynona Ryder, Anne Bancroft, Ellen Burstyn, Kate Nelligan. Quem assistiu ao filme percebe por que o estou mencionando.

É... Os textos, tanto quanto nós, têm sua história... "

Querem ver? Leiam o post seguinte. Bj carinhoso!

Fonte: publicado originalmente em Tear dos Sentidos (aqui)